Tuesday, 5 April 2016

A LOIRA DO CEMITÉRIO



Hoje, ao sair da hidroginástica fui ao cemitério, acender uma vela no túmulo de meu pai, falecido há muito tempo. Tão logo ultrapassei o portão, olhei para trás e percebi uns 8 meninos, de mais ou menos dez a onze anos, mais umas 3 meninas. Voltei e fui para perto de dois funcionários e perguntei o que os meninos estavam fazendo ali, pois eu fiquei com medo de ser um arrastão. Um funcionário perguntou para os meninos:
- O que vocês vão fazer?
Um dos meninos perguntou:
- Humm Não entendi.
Então eu falei:
- O que vão fazer aqui? 

 
E quase todos, meio sem jeito, responderam que iam ver os caixões. Um dos funcionários falou que lá não tinha caixão nenhum e eles falaram que iam andar pelo cemitério.
Pedi para os funcionários ficarem de olho, pois eu continuava com medo. Fui ao túmulo, acendi a vela e quando estava descendo no cruzeiro, para acender mais velas, passei pelos meninos e um deles levou um susto e outro perguntou:
- Você “trabaia” aqui?
- Não, eu moro aqui.
Então todos olharam para mim, assustados, olhos regalados e perguntaram:
- Como assim?
- Eu sou alma penada.
Um deles perguntou o que era alma penada e respondi que eram espíritos que saem do túmulo para assustar os outros.
     Eles me olharam assustados e continuei a caminhar em direção ao cruzeiro.
   Após acender as velas, subi para irem embora e agradeci os funcionários, porém, um pouco antes do portão, me olhando com dúvidas. Cheguei perto, parei e perguntei:
- Vocês não acreditam que eu moro aqui? Nunca ouviram falar da “loira do cemitério?
Um dos meninos fez menção de pegar minha mão, para ver estava gelada e eu falei:
- Não estou gelada porque o sol me esquentou.
Outro disse:
- Seu cabelo é amarelo mesmo. Você é a loira?
- Sim, sou eu mesma.
Eles se juntaram, olhando assustados, uns correram gritando, outros se esconderam entre os túmulos, enfim, totalmente assustados.
Continuei a caminhar em direção à saída, porém uma das meninas, que havia corrido, e estava pelo lado de fora me perguntou, com os olhos arregalados:
- Você trabalha aqui?
Respondi:
- Já falei que não, eu moro aqui. Nesse horário eu costumo sair para assustar os outros.
A menina gritou “cai fora” e saiu correndo, gritando, para perto dos outros meninos.
Enquanto voltada para casa, não continha minha risada, mas ao mesmo tempo fiquei com remorsos, afinal, eram crianças.
Mas que foi engraçado, ah, foi!



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