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Tuesday, 21 February 2012

O ABRAÇO

MENINO, foi meu aluno na Pré-escola em 2009, em 2010 foi para a 1ª Série na Escola do Candonga, reprovou e ficou mais um ano na mesma série.
Com a implantação de 9 anos na Educação, MENINO voltou para mim, agora na 2ª série.
Ele é uma criança com grande dificuldade de aprendizado, o que falta é o estímulo familiar. Sua mãe já está no 7º filho e não vai parar por aí, pois seu marido quer que ela complete 12 filhos, como sua mãe.
Recordo-me que na festa de encerramento, quando nossos amigos motoqueiros vieram vestidos de Papai-Noel, ela levou todos os filhos e eu disse para ela:
- Nossa, MÃE, pare de fazer filhos, eu já dei aula para todos eles. Você operou para não ter mais?
- “Ta doida, fessora, acha que vou operá? A vida é assim, eu faço os fios e a senhora insina, uai, tá pensando o quê”.
Quando percebo que MENINO não está entendendo o que é para fazer, chamo-o, peço que sente em minha perna, pois é assim que atendo todos meus alunos. É uma forma de ensinar a afetividade e o faço tranquila, pois eles são crianças de 4 a 6 anos. MENINO tem 7 anos.

Ao sentar, explicando como deverá fazer, abracei-o e perguntei:
-MENINO, sua mãe abraça você forte assim?
Ele me olhou e balançou a cabeça fazendo sinal negativo e falou:
- Minha mãe não me abraça.
Olhei para ele meio sem graça, e expliquei que talvez ela não tenha tempo, pois tem que cuidar do irmão nenê.
MENINO voltou para sua carteira, escrevia e apagava, escrevia de novo e entrava na fila para ser atendido. O bom de Escola Rural é que tem poucos alunos e o atendimento é bem personalizado. Então dá para atender um a um. Chegando à vez do MENINO, percebi que ele sentou e passou o braço por cima de meu ombro. Geralmente os alunos não fazem isto, apenas sentam, prestam atenção no que explico, levantam e vão fazer as atividades. Olhei bem para ele, abracei-o com mais carinho e disse:
- Vai, vai fazer sua tarefinha.
Me recordo que minha coordenadora, em outros tempos, pediu para que eu mudasse meu tratamento para com meus alunos, pois eles estão na escola para aprender e que eu deveria ser mais austera e não muito carinhosa. Apesar dela ter razão, até hoje não consigo trabalhar com alunos sem tocá-los. Ainda mais quando percebo que o aluno tem uma grande carência afetiva e tenho certeza que ele vai desenvolver seu aprendizado com muito mais facilidade porque ele vai ter vontade de retribuir a ternura que transmito a ele.
E falando em carência, MENINO vem para a aula sem mochila. Perguntei se ele não tinha, ele me respondeu que havia rasgado.
Uns anos atrás, meu irmão Percy, havia me dado uma muchilinha da seleção que ele treina (Seleção de Vôlei Infanto-Juvenil do Brasil), usei-a um pouco e resolvi levar para ele. Quando ele perguntou se era mesmo para ele, seus olhos brilharam de alegria.
E lá foi MENINO todo feliz com sua mochilinha na costas, me deixando com os olhos marejados de emoção, por ter conseguido mais uma vez ser útil ao próximo.