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Thursday, 5 April 2012

EITA PÁSCOA GOSTOSA

Ontem, 04.04, fizemos a festinha de Páscoa com os alunos da Escola do Canhembora. Comecei a planejar com antecedência, fazendo a campanha, com este pedido:

 Oie. . . . . . a Páscoa está chegando e estou preocupada com as guloseimas para meus alunos. A bem, da verdade gostaria que eles tivessem uma Páscoa em família, onde todos possam ter um domingo pascal com coisas gostosinhas para comer. Não penso apenas em doces, mas algo para um almoço bem gostoso.
Quase todos os dias, ao iniciar a aula à tarde, pergunto aos alunos quem almoçou e o que comeram. As respostas são bem variadas, mas o que mais me dói é alguns responderem que comeram pão puro, porque a mãe não fez comida. Fico a imaginar que não fez porque não tinha. Houve dias que as respostas foram – “não comi, porque o arroz queimou”, “só comi vina”, “não deu tempo da minha mãe fazer”, e assim por diante.
Claro, que alguns respondem que comeram arroz, feijão, carne. Ah, nas respostas dos que comeram, percebo que ninguém fala em verduras, legumes. Às vezes, sinto certa raiva dos pais, pois não custa muito fazer uma horta e criar galinhas. Infelizmente, quem sofre é a criança, pior ainda, quanto mais pobres, mais filhos.
Por isso chego até você para que, quem sabe, possa aderir minha campanha em prol dos meus 24 alunos, para que eles possam receber “o coelhinho” com uma carriola cheia de coisinhas gostosas, para comerem no domingo onde se comemora a Páscoa.
Aproveito e convido você a participar da festinha que faremos para os alunos, no dia 04 de Abril, mais ou menos 14:00, onde comemoraremos a Páscoa na escola.

Só que nem pensei que o retorno seria grandioso. Nunca imaginei que meus alunos fossem para casa carregados de “coisas” gostosinhas para o feriado. Recebemos doações da minha amiga Mitico, da Ivone, minha amiga pitagórica,  ambas de Curitiba, da minha querida amiga Maria Muniz, de Paranaguá, do Claudinei, de Morretes e recebemos a visita do “nosso Papai-Noel”, que se tornou o Coelhinho da Páscoa, o querido Fabiano Simas. Ele é integrante do Moto Clube de Paranaguá. Junto estava seu irmão, o Neto. Quando eles chegaram, os alunos do ano passado reconheceram e correram para abraçá-lo. Os alunos cantaram a música do Coelhinho e eles distribuíram os doces. Nossa coordenadora Judite Biscotto, também estava presente, inclusive levou ovos de Páscoa que o prefeito Amilton ofereceu para cada aluno de todas as escolas do município. 

Logo em seguida chegou Zelinda de Bona - coordenadora do grupo Amigos Solidários na Dor do Luto, com sede em Curitiba PR. Em, 1994, seu neto, Saulo Malucelli faleceu aos 14 anos, vítima de um acidente. A dor de ser privada da convivência de alguém tão querido só não foi maior do que o amor por si mesma e a necessidade de dar suporte à filha, mãe do menino. Ela conseguiu superar o luto sozinha, apoiada na fé e na própria experiência de vida. E é com essas ferramentas que ela coordena, há sete anos o grupo Amigos. Zelinda dedica boa parte do seu tempo divulgando os objetivos deste grupo em jornais, revistas, rádio e televisão – junto com algumas pessoas do grupo e esplendidamente carregados de mimos para os alunos. Eu olhava todos com muita surpresa e um pouco envergonhada pela minha simplicidade e do lugar também, mesmo assim, não me inibi e junto com os alunos cantamos, várias cantigas e meu aluno Luan cantou a música do Michel Teló, que é uma febre em todas as mídias. O grupo interagiu sem se importar com o imenso calor, apesar de ter 2 ventiladores de teto, eles não funcionam bem, pois seus reatores estão gastos e não ventilam nada. Os borrachudos fizeram a festa nos sangues novos. Eram muitos borrachudos.
Fiquei encantada com Amanda, uma garota de mais ou menos 10 anos, filha do Alexandre e Ana Eloísa, que faziam parte do grupo, ao vê-la ajudando a distribuir os presentes para os alunos.
Zelinda foi tão caprichosa que fez um Kit almoço para cada aluno, contendo linguiça calabresa, macarrão, extrato de tomate, e uma compota feita por ela mesma.
As outras sacolas foram muito caprichosamente confeccionadas. Todas as pessoas que não faziam parte do grupo ficaram admirados. Algumas mães presentes vieram me agradecer e eu disse que eu não estava fazendo nada e sim os anjos que Deus sempre envia para agraciar meus alunos.
Os alunos foram para casa, quase sem poderem levar as sacolas e nossa merendeira também ganhou presentes.
Foi tudo muito lindo, muito gratificante! Mais uma missão cumprida, graças a Deus e aos meus amigos, que nunca nos faltam.


Fabiano e seu irmão Neto
O aluno Keween e Fabiano

A coordenadora Judite distribuindo ovos doados pelo prefeito
Neto e a aluna Mirella
Zelinda conversando com os alunos
O grupo todo se empenhando em entregar os mimos
Amanda também ajudou a distruibuir com muito carinho
Professor Nazir também participou das festividades
Todos do grupo estavam bem alegres, apesar do imenso calor
Uma pose com todos os presentes
Zelinda e sua alegria contagiante

Tuesday, 21 February 2012

O ABRAÇO

MENINO, foi meu aluno na Pré-escola em 2009, em 2010 foi para a 1ª Série na Escola do Candonga, reprovou e ficou mais um ano na mesma série.
Com a implantação de 9 anos na Educação, MENINO voltou para mim, agora na 2ª série.
Ele é uma criança com grande dificuldade de aprendizado, o que falta é o estímulo familiar. Sua mãe já está no 7º filho e não vai parar por aí, pois seu marido quer que ela complete 12 filhos, como sua mãe.
Recordo-me que na festa de encerramento, quando nossos amigos motoqueiros vieram vestidos de Papai-Noel, ela levou todos os filhos e eu disse para ela:
- Nossa, MÃE, pare de fazer filhos, eu já dei aula para todos eles. Você operou para não ter mais?
- “Ta doida, fessora, acha que vou operá? A vida é assim, eu faço os fios e a senhora insina, uai, tá pensando o quê”.
Quando percebo que MENINO não está entendendo o que é para fazer, chamo-o, peço que sente em minha perna, pois é assim que atendo todos meus alunos. É uma forma de ensinar a afetividade e o faço tranquila, pois eles são crianças de 4 a 6 anos. MENINO tem 7 anos.

Ao sentar, explicando como deverá fazer, abracei-o e perguntei:
-MENINO, sua mãe abraça você forte assim?
Ele me olhou e balançou a cabeça fazendo sinal negativo e falou:
- Minha mãe não me abraça.
Olhei para ele meio sem graça, e expliquei que talvez ela não tenha tempo, pois tem que cuidar do irmão nenê.
MENINO voltou para sua carteira, escrevia e apagava, escrevia de novo e entrava na fila para ser atendido. O bom de Escola Rural é que tem poucos alunos e o atendimento é bem personalizado. Então dá para atender um a um. Chegando à vez do MENINO, percebi que ele sentou e passou o braço por cima de meu ombro. Geralmente os alunos não fazem isto, apenas sentam, prestam atenção no que explico, levantam e vão fazer as atividades. Olhei bem para ele, abracei-o com mais carinho e disse:
- Vai, vai fazer sua tarefinha.
Me recordo que minha coordenadora, em outros tempos, pediu para que eu mudasse meu tratamento para com meus alunos, pois eles estão na escola para aprender e que eu deveria ser mais austera e não muito carinhosa. Apesar dela ter razão, até hoje não consigo trabalhar com alunos sem tocá-los. Ainda mais quando percebo que o aluno tem uma grande carência afetiva e tenho certeza que ele vai desenvolver seu aprendizado com muito mais facilidade porque ele vai ter vontade de retribuir a ternura que transmito a ele.
E falando em carência, MENINO vem para a aula sem mochila. Perguntei se ele não tinha, ele me respondeu que havia rasgado.
Uns anos atrás, meu irmão Percy, havia me dado uma muchilinha da seleção que ele treina (Seleção de Vôlei Infanto-Juvenil do Brasil), usei-a um pouco e resolvi levar para ele. Quando ele perguntou se era mesmo para ele, seus olhos brilharam de alegria.
E lá foi MENINO todo feliz com sua mochilinha na costas, me deixando com os olhos marejados de emoção, por ter conseguido mais uma vez ser útil ao próximo.





Friday, 21 October 2011

SONHO REALIZADO

Tudo começou com uma simples atividade, onde eu, como professora,  pedia que os alunos recortassem e colassem o que gostaria de ganhar no Dias das Crianças. Fiquei surpresa com o que Osmar colou e fiz um pequeno
O aluno e sua atividade
 comentário e enviei a todos meus amigos por e-mail, e dizia assim:



Oi, como o Dia das Crianças está chegando, as atividades que tenho passado são alusivas à data que se aproxima, e hoje, pedi que os alunos procurassem, recortassem e colassem figuras do que gostaria de ganhar no Dia das Crianças.
Quase não acreditei que um aluno colou a figura de uma cama. Olhei para ele e perguntei:
- Você quer ganhar uma cama?
Ele, timidamente me respondeu que sim. Então perguntei se ele não tinha cama e ele me respondeu:
- Tenho, mas é de pau.
Essa cama que ele se refere são 4 paus fincados no chão e por cima algumas tábuas, o colchão são várias cobertas surradas.
Bem, ainda bem, que com a ajuda de vários amigos, vamos fazer uma festinha para comemorar o Dia das Crianças, no dia 10 à tarde. Além deles comerem um delicioso bolo de chocolate, que nossa querida merendeira vai fazer, vão se deliciar com brigadeiros e beijinhos que iremos fazer.
Não vamos dar brinquedos, mas faremos uma sacolinha cheia de guloseimas, para que os alunos possam levar para casa e desfrutar com seus irmãos.
Bem, a cama continuará sendo o sonho do aluno, infelizmente!


Não! Não ficou no sonho do Osmar! Deus enviou alguns anjos para que ele pudesse dormir em uma cama de verdade e não em uma tarimba. Esses anjos são de Paranaguá, meu sempre amigo Jorge Cancella e sua esposa, do Moto Clube de Paranaguá. Na terça-feira, dia 18 de outubro,  todos ficaram encantados com a cama, os colchões, os lençóis e as fronhas.
Olha que bagunça com as doações
Seu sonho foi realizado, meu querido aluno!
 Hoje, 20 de outubro,  meu aniversário, com a ajuda da minha amiga Cleuzinha, do Conselho Tutelar, fomos levar a cama na casa do meu aluno. Infelizmente, não deu para ir até sua casa, pois só caminhão sobe na estrada, e a kombi da APMI estava sem freio. Tivemos que deixar na casa da avó, pedindo que eles entregassem a cama para o Osmar. A avó disse que o pai dele iria pedir ao patrão para levar de caminhão, e que ele já está esperando pela cama. Quando a cama estiver montada na casa do Osmar, iremos até lá para registrar. Por enquanto, posto as fotos que tiramos. O semblante de todos irradiavam felicidade.
Cleuzinha e eu com os parentes do Osmar
Odete e Cleuzinha ajudando a descarregar as peças da bicama. Samara é aluna da 4ª série
Até o tio foi ajudar
Anderson é primo do Osmar e já foi meu aluno
Colchão novo, a bicama é linda demais
Está é a casa dos avós do Osmar
Todos ficaram muito felizes e colaborando
Osmar mora bem mais longe que a casa dos avós

 Assim, termina uma história feliz, a realização de um sonho de um aluno. Agradeço muito a Deus por me apresentar pessoas que não medem esforços em ajudar àqueles que mais precisam.

Tuesday, 11 October 2011

UM DOCE DIA

No dia 12 é o Dia das Crianças, mas nas escolas este dia é comemorado um ou dois dias antes da data festiva. Para meus alunos, não foi diferente e hoje fizemos nossa festa, uma linda e gostosa festa.
Há alguns meses já comecei a agilizar. Ganhei um aparelho de som usado, mas, novo e resolvi fazer uma rifa para angariar fundos com o intuito fazer uma festinha para nossos. Ganhamos, também, uma camiseta e fizemos uma rifa com o preço menor. Conseguimos 90% da venda dos nomes da cartela. 

Na semana passada fui a Paranaguá comprar as guloseimas na casa de embalagens do Meduna. Conforme fui pegando os doces, pedi que ele fosse somando, pois, eu estava com pouco dinheiro e ele me disse que meu amigo Jorge Cancella havia telefonado para ele, dizendo que o Moto Clube de Paranaguá estava “me” dando um crédito de 100,00. Olhei bem sério para o Meduna, surpresa com o que ouvi, quase que controlando minha emoção. Eu havia escrito um e-mail para o Jorge no dia anterior e não vi a resposta. Expliquei para o Meduna que estava aproveitando o projeto do Ecoviver, utilizando caixas de suco, as quais pintei-as de azul para os meninos, rosa para as meninas e verdinhas para algum “agregado”. Embrulhei carrinhos de fricção e bonequinhas, como se fossem balas, coloquei no fundo da caixinha, depois colocaria as balas por cima. E que fora a caixa, faria uma sacolinha com alguma coisa com mais sustância, ele achou legal e fomos separando. Ao sair de lá, quase não conseguia carregar as sacolas, de tão pesadas que estavam. Da rodoviária, telefonei para a merendeira pedindo que a mesma fosse buscar as sacolas no trevo de Morretes. Pedi ao motorista que quando chegasse ao trevo esperasse eu descer e entregar as sacolas de doce e voltar ao ônibus. E assim foi.
Hoje foi a festa. A merendeira fez bolo de chocolate, com ingredientes doados por algumas amigas minhas, e bolinho frito de massa de bolo; brigadeiro e beijinho doado pelos meus amigos do Moto Clube, a professora da 3ª série fez canudinho de maionese. A mesa ficou linda! Os alunos estavam extasiados com tanta coisa gostosa na mesa. Fizemos uma gincana com atividades com jogos de bola e com prêmios das doações. Como gritamos! Nossa! Foi muito lindo. Mais tarde fizemos o sorteio da rifa. Para confirmar nossa alegria, um aluno da 3ª série foi sorteado com o aparelho de som, com o nome Fátima. A satisfação dele foi contagiante. A camiseta saiu com o nome de Ricardo e quem ganhou foi a professora, o que achei justo, pois ela quem vendeu quase todos os cinquenta números! A professora da 4ª preferiu não participar da festa. Quer ter certeza de tudo isto? Olha as fotos e sinta a presença de Deus em cada momento vivido por estas crianças tão queridas!

Como foi difícil colar as jujubas!

Um momento descontraído entre eu e Odete.
E na revista estava que era só embrulhar no papel celofane, quem dera!
Ora da gincana... foi hilário!
O aluninho se contorcia todo para que a bola não caísse... como rimos!
Enquanto a festa não começava, os alunos assistiam vídeo.
Olha só que "tortinho". Prêmio doado pelos motoqueiros.
Outro jogo. A vontade de acertar a bolinha era muito grande.
Emfim, a mesa posta, os alunos alegres.
Repare só as bochechas.... he... he...
Odete sorteando a rifa
Professora Gesiane levou a camiseta
Eriton ganhou o aparelho de som
Entregando as sacolas de guloseimas
Olha que linda a Aline com seus presentinhos!
Esse é o Luan, todo feliz!
O melhor momento da festa!


Saturday, 9 July 2011

ENCERRAMENTO DAS AULAS


O encerramento do primeiro semestre de aulas deu-se com as guloseimas doadas pelo nosso amigo Jorge Cancela, do moto clube de Paranaguá. Aos nossos amigos motoqueiros nosso eterno agradecimento por terem contribuído por um final doce e feliz. A merendeira fez rosquinhas açucaradas, bolo de fubá com cobertura de chocolate e suco de maracujá.
Cada aluno levou um pacotinho de guloseimas para casa. 

Nas fotos os alunos do prezinho, primeiro ano e terceira série. Infelizmente não foi fotografada a entrega para os alunos da quarta-série.  
 Diante de tudo isto, só tenho que agradecer a Deus por nos apresentar a tantos amigos que nos ajudam durante o ano todo. Veja que lindas fotos foram tiradas, a maioria pela merendeira e outras pelos próprios alunos.